E agora meninos? Cresceram e a escola chegou ao fim. A inclusão até que foi boa, sobretudo nos primeiros anos, quando os outros meninos ainda sabiam que o mundo é um lugar para todos. Depois do 9.º anos as coisas complicaram-se e os corredores da escola foram ficando mais estreitos. Tão apertados de gozos, de insultos e de acusações que quase nem vos deixavam passar. Sei que custou, que estavam ansiosos para acabar os estudos e livrarem-se desses colegas malvados. Já não havia paciência nem alma para tantos pontapés. Sei que passaram por todas as humilhações calados e em segredo. Fazer queixinhas só serviria para piorar a situação.
Mas e agora? Os matulões espalham-se por toda a parte, estão nos cursos profissionais, nas universidades, nas filas do primeiro emprego. Existem os vossos direitos, sim, mas quando a vida é a doer, os legisladores lavam as mãos, e os técnicos que sempre vos apoiaram, não têm tempo para adultos, pois já têm na calha outros meninos tão especiais quantos vós já o foram.
Agora? Talvez uma CERCI, por exemplo...
quinta-feira, 21 de junho de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
BARBIE CADEIRA DE RODAS, MAS QUE BRINCADEIRA É ESTA?
De todas as iniciativas que conheço para sensibilizar sobre a deficiência, esta é uma das mais abjecta, tola e sem sentido.
Daqui há nada ainda existirá alminhas que, mesmo não precisando, vão comprar cadeiras de rodas só porque é fashion...
Há coisas que não desejo ao meu pior inimigo. Muito menos à estúpida duma barbie.
Daqui há nada ainda existirá alminhas que, mesmo não precisando, vão comprar cadeiras de rodas só porque é fashion...
Há coisas que não desejo ao meu pior inimigo. Muito menos à estúpida duma barbie.
domingo, 13 de novembro de 2011
COISA SIMPLES
Não é fácil, querem-nos heróis a viva força. Ufa, não estou para isso... E se querem saber, fico mal em todas as fotografias.
Não tenho nenhum exemplo extraordinário para dar. Ou talvez, nos dias que correm, a minha vulgar humanidade seja um bom exemplo.
Confesso-me inútil.
Não tenho nenhum exemplo extraordinário para dar. Ou talvez, nos dias que correm, a minha vulgar humanidade seja um bom exemplo.
Confesso-me inútil.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
DIREITOS E DEVERES
Não vou por ai, as rampas não me convencem. Penso que nem todos os lugares têm de ter necessariamente acessos. É descabido, por exemplo, que a traça antiga de um qualquer castelo seja alterada pela colocação de estruturas e adaptações que, muito ou pouco, acabam sempre por destoar. As pessoas em cadeira de rodas só ficam condicionadas quando perdem a noção dos limites. Esta minha opinião com toda a certeza não é consensual, no entanto cheguei a uma altura em que me preocupo bastante mais com as minhas obrigações do que com os meus direitos. E isto porque o que vejo é um desfilar de reivindicações. Sinceramente, já não há pachorra. Não vou por aí, prefiro encarar os obstáculos como saborosos desafios que a vida me dá. Só assim consigo ir além dos meus limites.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
POEMA PARA ALIVIAR O SOL DA CABEÇA
o que escrevo são poemas para limpar os ouvidos
convém, no entanto, fornecer um manual de instruções
que seja suficientemente prático e explícito
para começar, é preciso dizer que
já tive um tempo em que descascava ervilhas
e brincava com os dedos na água de sabão
também sabia andar sentada de marcha atrás
para limpar com uma vassoura o chão
mas isso são caligrafias sem nenhuma importância
e o que interessa salientar é que não sei fazer nada
além de dar murros nas letras
porque tenho vontade de partir as janelas do mundo
para poder respirar mais à vontade
isto também não é exacto pois sou uma das poucas pessoas
que posso respirar à larga sem provocar danos ambientais
há poucas coisas no mundo
que considero de suprema importância
embora não haja um único grão de poeira
que me seja totalmente indiferente
pelo contrário, todas as coisas do mundo me chamam à atenção
sobretudo o globo terrestre que está à janela da minha vizinha
e que é pequenino e feito de madeira com caruncho
para que os meus poemas possam limpar os ouvidos
é necessário seguir algumas regras:
evitar todas as palavras que sejam de enfeitar
(incluindo a palavra palavra),
não ter objectos cortantes nem cantantes,
saber que tudo muda
ao sabor dos picante do ventos
não conheço quase ninguém
mas agradeço a todas as pessoas em geral
e à humanidade em particular
por nunca me terem apanhado em flagrante delírio
a verdade é que sempre fui bem comportada
apenas cometo deslizes gramaticais
e pouco mais
dizem que dantes havia rios com mulheres bordadas,
e que os lençóis e as toalhas brancas
navegavam pela corrente das águas até chegarem ao mar
os meus poemas só existem
porque não posso andar a passear de guarda-chuva
convém, no entanto, fornecer um manual de instruções
que seja suficientemente prático e explícito
para começar, é preciso dizer que
já tive um tempo em que descascava ervilhas
e brincava com os dedos na água de sabão
também sabia andar sentada de marcha atrás
para limpar com uma vassoura o chão
mas isso são caligrafias sem nenhuma importância
e o que interessa salientar é que não sei fazer nada
além de dar murros nas letras
porque tenho vontade de partir as janelas do mundo
para poder respirar mais à vontade
isto também não é exacto pois sou uma das poucas pessoas
que posso respirar à larga sem provocar danos ambientais
há poucas coisas no mundo
que considero de suprema importância
embora não haja um único grão de poeira
que me seja totalmente indiferente
pelo contrário, todas as coisas do mundo me chamam à atenção
sobretudo o globo terrestre que está à janela da minha vizinha
e que é pequenino e feito de madeira com caruncho
para que os meus poemas possam limpar os ouvidos
é necessário seguir algumas regras:
evitar todas as palavras que sejam de enfeitar
(incluindo a palavra palavra),
não ter objectos cortantes nem cantantes,
saber que tudo muda
ao sabor dos picante do ventos
não conheço quase ninguém
mas agradeço a todas as pessoas em geral
e à humanidade em particular
por nunca me terem apanhado em flagrante delírio
a verdade é que sempre fui bem comportada
apenas cometo deslizes gramaticais
e pouco mais
dizem que dantes havia rios com mulheres bordadas,
e que os lençóis e as toalhas brancas
navegavam pela corrente das águas até chegarem ao mar
os meus poemas só existem
porque não posso andar a passear de guarda-chuva
quinta-feira, 24 de março de 2011
POEMA LÚDICO
Gosto de brincar com as minhas caixas vazias
E também com as sombras das minhas mãos
Que fazem desenhos de gatos nas paredes
Gosto de ouvir os alfinetes dentro das caixas vazias
E se as minhas mãos não têm gestos
É porque as luzes se apagam e as paredes ficam frias
Nunca saltei ao arco nem à corda
Só tenho jeito para abrir e fechar gavetas
E também para estragar torneiras e interruptores
As minhas palavras vazias
Estão cheias de alfinetes e de gatos
Há sombras que nunca desaparecem do chão
Que ficam como cicatrizes molhadas
E nunca se evaporam com o Sol nem com a chuva
Dentro dos meus óculos só ouço as cores do arco-íris
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