
Daqui há nada ainda existirá alminhas que, mesmo não precisando, vão comprar cadeiras de rodas só porque é fashion...
Há coisas que não desejo ao meu pior inimigo. Muito menos à estúpida duma barbie.


Gosto de brincar com as minhas caixas vazias E também com as sombras das minhas mãos
Que fazem desenhos de gatos nas paredes
Gosto de ouvir os alfinetes dentro das caixas vazias
E se as minhas mãos não têm gestos
É porque as luzes se apagam e as paredes ficam frias
Nunca saltei ao arco nem à corda
Só tenho jeito para abrir e fechar gavetas
E também para estragar torneiras e interruptores
As minhas palavras vazias
Estão cheias de alfinetes e de gatos
Há sombras que nunca desaparecem do chão
Que ficam como cicatrizes molhadas
E nunca se evaporam com o Sol nem com a chuva
Dentro dos meus óculos só ouço as cores do arco-íris
Preciso parar de morrer.
Tenho de lavar os olhos
E ir para o Sol, para o lugar das palavras arejadas,
Atravessar pontes, encontrar caminhos,
Cruzar-me com os gatos mais assanhados,
Partir vidros, vandalizar todas as estrelas do firmamento,
Riscar paredes, dar pontapés nas latas
Para que me ouçam os deuses da alegria
Fazer trinta por uma linha bem torta,
Ressuscitar as horas mortas,
Bater em muitas portas,
Mudar os ventos e as marés,
Entrar em todos os sentidos contrários
Para trocar as voltar ao mundo,
Para trazer à tona o que está no fundo,
Para sentir outro tempo muito mais fecundo,
Para inventar outro riso e outro juízo,
Outra forma de ser e acontecer…
Preciso!